- Camisas da velha guarda de escola de samba sempre serão horrorosas (porque misturar brasões com serpentinas coloridas não tem como dar certo)
- Mulher magra não faz sucesso na sapucaí. Pensa bem: Pra mulher desfilar com 300.000kg de penas ela tem que ser estilo melancia pro pessoal na arquibancada conseguir ver a bunda dela.
- Todo mundo imita o cara que canta os votos na apuração de quarta (“Beeeeeija-flor de Nilópolis...deeeez”)
- É piada pagar R$1000 pra ficar em pé, sufocado, em baixo do sol, ouvindo chiclete com banana durante 3 dias seguidos! E tem gente que ri dessa piada, achando que isso tudo é divertido.
- Mulher que nunca dançou o tchã ou é mentirosa ou é aborígene.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Faça você mesmo
Com essas 7 palavras abaixo se faz um samba-enredo. Em 2 minutos dá pra inventar 3 sambas diferentes (e todos poderiam fazer sucesso).
Natureza – Esplendor – Divinal – Paixão – Terra – Sonho – Sapucaí.
Natureza – Esplendor – Divinal – Paixão – Terra – Sonho – Sapucaí.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Confissões de adolescente
Sempre imaginei quem seriam os autores dessas músicas românticas de sucesso que são cuspidas dos rádios e entram na nossa cabeça sem que a gente possa escolher se quer ou não decorar a letra da música. E acabamos decorando.
Pensava que esses autores eram homens de negócios, que escreviam essas letras pra ganhar dinheiro, com rimas pobres, chavões, palavras simples e sonoras, mais alguns gritos e pronto: você tem uma música de sucesso.
Pra minha surpresa conheci a autora de uma música de sucesso da Vanessa Camargo. Nada do que eu esperava. Era uma menina, uns 16 anos, infantil, cheia de ilusões platônicas, pôsteres de atores e filmes de comédia romântica na parede do quarto.
Talvez um caso isolado, mas real. Palavras pobres saídas da cabeça de uma adolescente-padrão, dessas que se apaixonam ‘profundamente’ por quem nem conhecem e dizem que amam o namorado depois de duas semanas de namoro. Elas acabam colecionando alianças de compromisso, dessas relações que duram 3 meses e resultam em musiquinhas pequenas, que fazem sucesso na boca de outras meninas-padrão que não param pra pensar no que estão ouvindo.
Pensava que esses autores eram homens de negócios, que escreviam essas letras pra ganhar dinheiro, com rimas pobres, chavões, palavras simples e sonoras, mais alguns gritos e pronto: você tem uma música de sucesso.
Pra minha surpresa conheci a autora de uma música de sucesso da Vanessa Camargo. Nada do que eu esperava. Era uma menina, uns 16 anos, infantil, cheia de ilusões platônicas, pôsteres de atores e filmes de comédia romântica na parede do quarto.
Talvez um caso isolado, mas real. Palavras pobres saídas da cabeça de uma adolescente-padrão, dessas que se apaixonam ‘profundamente’ por quem nem conhecem e dizem que amam o namorado depois de duas semanas de namoro. Elas acabam colecionando alianças de compromisso, dessas relações que duram 3 meses e resultam em musiquinhas pequenas, que fazem sucesso na boca de outras meninas-padrão que não param pra pensar no que estão ouvindo.
domingo, 9 de novembro de 2008
Do ofício
Mal sentar pra começar
Faz a sinapse se apressar
Se ela não vem
Na rua está
Gastando mais neurônios
Pra voltar a sentar
Esticando a consciência
A imaginação quer descansar
Mas o tempo não deixa
Acorda pra nunca mais deitar
Tem que ter o dom de adivinhar
O que passa na cabeça do par
Nem sempre dá certo
Mesmo que se saiba como falar
Sem esquecer de sensibilizar
Vai e volta a desligar
E retoma com uma dose
Não dá pra querer parar
Faz a sinapse se apressar
Se ela não vem
Na rua está
Gastando mais neurônios
Pra voltar a sentar
Esticando a consciência
A imaginação quer descansar
Mas o tempo não deixa
Acorda pra nunca mais deitar
Tem que ter o dom de adivinhar
O que passa na cabeça do par
Nem sempre dá certo
Mesmo que se saiba como falar
Sem esquecer de sensibilizar
Vai e volta a desligar
E retoma com uma dose
Não dá pra querer parar
domingo, 19 de outubro de 2008
[ ]
O que faço com essa falta de conteúdo que me obriga a ter conteúdo pra nela conteúdo dar? Essa limpeza que só me lembra que quanto mais as teclas soarem, mas sujo fica o branco, mais forma nele se forma, mais sai de mim pro mundo.
Da linha que pisca gritando “me faz correr”, dos dedos que berram “queremos parar”, da cabeça que sussurra “mal você sabe que ainda nem começou”.
Enquanto eu brigar entre o parar ou recomeçar, se o questionamento existir, suspeito que continuarei sujando o papel, cansando os dedos, ignorando a cabeça.
Da linha que pisca gritando “me faz correr”, dos dedos que berram “queremos parar”, da cabeça que sussurra “mal você sabe que ainda nem começou”.
Enquanto eu brigar entre o parar ou recomeçar, se o questionamento existir, suspeito que continuarei sujando o papel, cansando os dedos, ignorando a cabeça.
...
17:02
E o que é o tic-tac? Eu já nem ouço mais esse barulho. Quantos sons o meu avô ouvia que eu não ouço? Quantos barulhos eu aturo hoje que ele nem imaginava existirem? Deve ser mais ou menos como a visão das abelhas. Elas vêem mais cores do que a gente. Descobri isso quando eu tinha 13 anos. Fiquei uma tarde toda pensando só nisso: Como seria uma outra cor além dessas que eu conheço? Naquele dia comecei a perceber que eu sou ínfimo.
Aos 21 ainda acho que tudo é engraçado. Tudo é bonito. Tudo pode melhorar. Desconfio que essa visão de mundo é como tentar segurar um punhado de areia, que vai se esvaindo aos poucos até que só fica um pouco do que um dia foi, se nos esforçarmos pra que assim seja.
Me incomodo com o tempo. Apesar de às vezes desconfiar que ele não exista. O fim de semana passa rápido e só fui descobrir que os dias de semana são produtivos quando comecei a trabalhar neles. Como eu sei perder tempo. Podia me graduar nisso. A TV ajudou, mas não vou gastar linhas culpando a mídia porque no que é externo é mais fácil enxergar defeitos.
Até a imagem da ampulheta sempre me impressionou, acho hipnótico aquilo, o formato, a areia, a certeza de estar olhando para o tempo passar. Aquilo me mata. É a prisão do tempo. Ao mesmo tempo adoro.
Dormir então, nossa, isso que é perda, por mais que os cientistas digam que é importante, se é pra sonhar prefiro que seja na vida real, no trânsito, no banho, no jantar, no supermercado. É melhor do que ficar só, deitado numa espuma me escondendo do mundo.
17:20
Em 18 minutos, pensei nos barulhos, nas cores, no meu avô, na minha visão de mundo, no tempo e no sono. Como cabe tanto pensamento em pouco tempo. Acho que a melhor coisa é usá-lo assim:
Em dúzias de linhas cheias de intenções, e apesar de pouco talento pra escrever o que se pensa, se faz. O que quer que seja.
E o que é o tic-tac? Eu já nem ouço mais esse barulho. Quantos sons o meu avô ouvia que eu não ouço? Quantos barulhos eu aturo hoje que ele nem imaginava existirem? Deve ser mais ou menos como a visão das abelhas. Elas vêem mais cores do que a gente. Descobri isso quando eu tinha 13 anos. Fiquei uma tarde toda pensando só nisso: Como seria uma outra cor além dessas que eu conheço? Naquele dia comecei a perceber que eu sou ínfimo.
Aos 21 ainda acho que tudo é engraçado. Tudo é bonito. Tudo pode melhorar. Desconfio que essa visão de mundo é como tentar segurar um punhado de areia, que vai se esvaindo aos poucos até que só fica um pouco do que um dia foi, se nos esforçarmos pra que assim seja.
Me incomodo com o tempo. Apesar de às vezes desconfiar que ele não exista. O fim de semana passa rápido e só fui descobrir que os dias de semana são produtivos quando comecei a trabalhar neles. Como eu sei perder tempo. Podia me graduar nisso. A TV ajudou, mas não vou gastar linhas culpando a mídia porque no que é externo é mais fácil enxergar defeitos.
Até a imagem da ampulheta sempre me impressionou, acho hipnótico aquilo, o formato, a areia, a certeza de estar olhando para o tempo passar. Aquilo me mata. É a prisão do tempo. Ao mesmo tempo adoro.
Dormir então, nossa, isso que é perda, por mais que os cientistas digam que é importante, se é pra sonhar prefiro que seja na vida real, no trânsito, no banho, no jantar, no supermercado. É melhor do que ficar só, deitado numa espuma me escondendo do mundo.
17:20
Em 18 minutos, pensei nos barulhos, nas cores, no meu avô, na minha visão de mundo, no tempo e no sono. Como cabe tanto pensamento em pouco tempo. Acho que a melhor coisa é usá-lo assim:
Em dúzias de linhas cheias de intenções, e apesar de pouco talento pra escrever o que se pensa, se faz. O que quer que seja.
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